Dia Nacional do Livro: Venda de e-books cresce e chega a 6% do faturamento de editoras

A venda de livros impressos ainda é superior. Autores e editores paraenses contam experiências.


Neste dia 29 de outubro se comemora o Dia Nacional do Livro. Apesar da crise que já vinha atingindo as grandes editoras e livrarias antes da pandemia, uma recente pesquisa destaca a importância do setor de e-books, que já representam 6% do faturamento médio das editoras do país. Autores e editores paraenses contaram a O Liberal as experiências com o setor: O ator e escritor paraense Raul Franco aposta na autonomia de publicação em plataformas de venda de conteúdo digital; o editor Geraldo Cavalcante conta a experiência de exitosa de abrir uma editora de e-books em plena pandemia, em Belém; e o escritor Alfredo Guimarães Garcia destaca que a distribuição gratuita de um e-book de poesia dele fomentou a venda do livro físico.


A pesquisa divulgada em agosto deste ano pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) também confirmou o crescimento da venda de e-books, audiolivros e outras plataformas de conteúdo digital em 2020. A mudança de hábito foi impulsionada pela pandemia, apesar do faturamento médio de 6% ainda estar distante da realidade dos Estados Unidos (25%) e da Europa (10%).


O faturamento das editoras brasileiras com conteúdo digital cresceu 36% no ano passado, o correspondente a R$ 147 milhões, e o crescimento nominal da receita foi de 43%. Em 2019, o faturamento atingiu R$ 103 milhões, período em que o conteúdo digital representava 4% do faturamento médio das editoras.


Raul Franco, que reside no Rio de Janeiro, já havia publicado três livros na plataforma Amazon e, durante a fase de isolamento social, produziu e publicou mais oito livros usando a mesma modalidade de venda virtual. “Tenho incentivado várias pessoas (autores) a fazer isso. São pessoas que estão esperando uma editora ou alguém que vá contratá-las para escrever livros. Você tem autonomia de fazer pelas plataformas de maneira mais simples, só que depende de divulgação para chegar ao público, mas é um caminho viável”, defende.


“As editoras estão fazendo as duas coisas: lançando em formato e-book e físico”, afirma Alfredo Garcia. Ele experimentou distribuir de graça um e-book de poesia durante a pandemia e ficou surpreso com o resultado: “Professores e pessoas ligadas à cultura, com idade entre 25 e 50 anos, começaram a me procurar pedindo o livro impresso, inclusive, de outros estados. Eles disseram sentir falta do cheiro do livro e de folhear as páginas. Fiz a venda prévia para 80 pessoas e acabei vendendo mais do que isso”.


Já o professor de História Geraldo Cavalcante, decidiu pôr em prática um antigo projeto e fundou a Editora Cabana em janeiro 2020, com foco exclusivo em e-books acadêmicos. “Pesquisadores de qualquer lugar podem ter acesso instantaneamente (a e-books). Os eventos acadêmicos não pararam com a pandemia, mas migraram para o virtual. Essas apresentações se tornaram artigos e o conjunto de artigos se tornaram livros”, conta. “Os e-books fizeram muito sucesso, mas alguns autores queriam ter a versão impressa para guardar e fazer lançamentos presenciais. Decidimos trabalhar com livros impressos em maio deste ano, mas a nossa maior demanda ainda são os e-books”, destaca.


Para o presidente da SNEL, Marcos Pereira, o crescimento do mercado de livros digitais no Brasil não disparou como o esperado quando essa modalidade chegou ao país. A venda de aparelhos próprios de leitura de livros (devices) não deslanchou. Porém, ele observa que, nos últimos três anos, houve aumento no faturamento das editoras com conteúdos digitais enquanto o mercado de livros tradicionais, que é mais relevante, tem registrado queda. “Sabemos que o digital vai estourar", conclui.

Fonte: O Liberal

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