Você conhece a "Mina Literária"?

A "Mina Literária foi um grupo de escritores formado em Belém, em 1894, que buscava valorizar a literatura amazônica.


A Mina Literária (1894-1899) foi uma associação de escritores paraenses que se propunha a “afrontar a burguesia chata, numa terra onde somente se cuida de câmbio e de borracha.” Teve entre seus membros grandes intelectuais, como Arthur Vianna, Juvenal Tavares, Estachio de Azevedo; políticos influentes, como Lauro Sodré e correspondentes no Rio de Janeiro, como Inglês de Souza e José Veríssimo.


A Mina Literária nasceu a partir de um convite de Natividade Lima, Leopoldo de Sousa e Guilherme Miranda, nos jornais da época, que dizia:


“Solicitamos aos que se interessam pelo desenvolvimento literário d’Amazônia, o obséquio de comparecer, às 9 horas da manhã de domingo, 2 de dezembro, na casa do sr. J. Eustachio de Azevedo, à rua da Trindade, canto da do Alecrim, para uma reunião que decidirá o futuro de nossa coletividade literária.

Pará, 27 de novembro de 1894”


No dia marcado nasceu a Mina Literária. A Mina Literária foi uma “brilhante” associação de homens de letras, fundada em Belém, nos moldes da “Padaria Espiritual” do Ceará (1892), sendo anterior à Academia Brasileira de Letras (1897), que se manteve firme e muito produtiva entre 1894 e 1899. Seus membros denominavam-se mineiros e possuíam nomes de guerra extraídos de sais, pedras preciosas ou produtos mineralógicos, como Muriato, Carbono, Petróleo e Quartzo. Os mineiros possuíam uma linguagem própria, e muito peculiar, na qual os meses, a começar por janeiro, eram designados como Alavanca, Alvião, Malho, , Marrão, Picareta, Marreta, Martelo, Camartelo, Escôda, Enxada e Áurea Picareta. A sede da associação era por eles chamada de poço, e suas composições, quer fossem em verso ou prosa, eram nomeadas de minerais. (REGO, 1997, p.25).


Para além do excêntrico vocabulário, a Mina Literária teve como membros ativos personalidades de grande prestígio na literatura e nas artes paraenses, a exemplo do Barão de Marajó, Inácio Moura, João Marques de Carvalho, Arthur Vianna, Paulino de Brito, Juvenal Tavares e Vilhena Alves. Entre os membros honorários, constavam pessoas influentes, como Lauro Sodré, Serzedelo Corrêa, Paes de Carvalho, Américo Santa Rosa, Tito Franco de Almeida e o Barão de Guajará. Entre os correspondentes, escritores nacionalmente prestigiados, como José Veríssimo e Inglês de Souza (Rio de Janeiro).


A respeito das produções dos mineiros, a Mina Literária possibilitou a publicação de muitos livros de seus membros, mesmo com “parcos recursos”, numa época em que o mercado editorial era extremamente complexo e de preço elevado para autores do norte do Brasil. Dentre as publicações do período, merecem destaque “Brados d’armas”, poemeto, de Natividade Lima; “Nevoeiros”, versos, de Eustachio de Azevedo; “Páginas avulsas”, artigos e crônicas, de Álvares da Costa; “Maria Luíza”, romance naturalista, de Ovídio Filho; “A viúva”, novela naturalista, de Eustachio de Azevedo; “Coisas profanas”, poesias, de Acrísio Mota; “Coelho Neto e a Mina Literária”, por vários mineiros (REGO, 1997, p. 47).


Em 1899, em virtude de dissidências entre os membros, da partida de alguns deles para o Centro Sul do Brasil, e do falecimento de dois dos seus líderes, a Mina Literária se extinguiu.


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